A regulamentação de visitas — atualmente chamada de direito de convivência — é um dos temas mais relevantes no Direito de Família quando há separação de pais com filhos menores. O objetivo não é beneficiar pai ou mãe, mas garantir o melhor interesse da criança, preservando vínculos afetivos e promovendo um desenvolvimento saudável.
Quando não há acordo entre os pais, o Judiciário pode estabelecer regras claras sobre dias, horários, férias e datas comemorativas.
O Que é Regulamentação de Visitas?
A regulamentação de visitas é a definição formal do regime de convivência entre o filho e o genitor que não reside com ele.
Mesmo nos casos de guarda unilateral, o outro genitor mantém o direito — e o dever — de conviver com a criança, salvo situações excepcionais que envolvam risco à integridade física ou emocional do menor.
Já na guarda compartilhada, a convivência também pode ser organizada judicialmente quando há conflito ou dificuldade de diálogo.
Qual é o Objetivo da Regulamentação?
O principal fundamento está no princípio do melhor interesse da criança, previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente.
A convivência regular:
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Fortalece vínculos afetivos
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Garante referência parental
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Contribui para estabilidade emocional
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Reduz impactos psicológicos da separação
A regulamentação evita conflitos constantes e traz previsibilidade à rotina da criança.
Como Funciona na Prática?
A regulamentação pode ocorrer de duas formas:
1. Acordo Extrajudicial
Quando há diálogo entre os pais, é possível formalizar um acordo com definição de:
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Fins de semana alternados
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Férias escolares
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Datas comemorativas
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Horários de retirada e devolução
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Contato por telefone ou videochamada
Esse acordo pode ser homologado judicialmente para ter validade legal.
2. Decisão Judicial
Quando não há consenso, o juiz define o regime de convivência com base em:
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Idade da criança
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Rotina escolar
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Distância entre residências
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Histórico de convivência
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Eventuais situações de risco
Em alguns casos, pode haver estudo psicossocial ou manifestação do Ministério Público.
Quando a Regulamentação de Visitas Pode Ser Alterada?
A regulamentação não é definitiva. Ela pode ser modificada sempre que houver mudança relevante na situação da criança ou dos pais.
Exemplos comuns:
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Mudança de cidade ou estado
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Alteração na rotina escolar
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Descumprimento reiterado do acordo
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Situações de alienação parental
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Risco à integridade física ou emocional da criança
Nesses casos, é possível ingressar com ação revisional para ajustar o regime às novas circunstâncias.
O Que Acontece se o Regime Não For Cumprido?
O descumprimento pode gerar:
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Advertência judicial
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Aplicação de multa
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Revisão da guarda
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Outras medidas previstas em lei
O foco sempre será proteger a criança e restabelecer a convivência de forma equilibrada.
Visita Assistida: Quando é Necessária?
Em situações mais delicadas, como histórico de violência, dependência química ou afastamento prolongado, o juiz pode determinar visitas assistidas.
Nesses casos, a convivência ocorre sob supervisão, garantindo segurança até que a situação seja reavaliada.
A Importância da Orientação Jurídica
Cada família possui dinâmica própria. A regulamentação de convivência deve ser construída considerando:
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O bem-estar da criança
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A realidade dos pais
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A preservação dos vínculos familiares
O acompanhamento de uma advogada especializada em Direito de Família é essencial para estruturar pedidos adequados, evitar conflitos prolongados e assegurar decisões juridicamente seguras.
Conclusão
A regulamentação de visitas não é uma disputa entre pais, mas um instrumento jurídico para proteger o desenvolvimento saudável da criança.
Sempre que houver conflito, mudança de circunstâncias ou necessidade de ajuste, é possível buscar solução legal para garantir equilíbrio e estabilidade familiar.




